As empresas militares privadas na Guerra do Iraque

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A Guerra do Iraque, iniciada em março de 2003, foi um dos conflitos armados com o maior número de contractors estrangeiros no teatro de operações. Em algum momento da guerra, forças armadas da coalizão liderada pelos EUA, empresas multinacionais, organizações não governamentais internacionais, embaixadas e a própria ONU utilizaram Empresas Militares Privadas (EMP) para garantir a segurança de pessoas, bens e instalações e/ou para executar tarefas de apoio ao contingente militar, particularmente de assessoramento e treinamento de forças de segurança.

Em comparação com a primeira Guerra do Golfo, no início da década de 90, a proporção de pessoal contratado foi dez vezes maior. Além de norte-americanos e iraquianos, as EMP também empregaram cidadãos de pelo menos trinta outros países. Essa significativa presença estrangeira, principalmente de empreiteiros civis dedicados a investir seus recursos no Iraque, impulsionou a expansão das Empresas Militares Privadas. Segundo Peter W. Singer, autor do livro Corporate Warriors, “a invasão do Iraque foi um momento decisivo para a política externa americana e também um momento marcante para a indústria militar privada”.

Mesmo diante do crescimento da oferta de contractors, a grande necessidade de segurança privada causou uma inflação nos preços cobrados pelas companhias. Em pouco tempo, os salários dos contractors passaram de 300 dólares por dia para uma faixa entre 500 a 1.500 dólares por dia para ex-integrantes de forças de operações especiais. As EMPs de renome como a Blackwater conseguiram faturar cerca de 1.500 a 2.000 dólares por homem/dia.

Na década de 70, a Vinnell foi a primeira empresa norte-americana a prestar serviços de treinamento militar diretamente para um governo estrangeiro, quando em 1975 fechou um contrato de 77 milhões de dólares para treinar as forças militares da Arábia Saudita na defesa de seus campos de petróleo. Em junho de 2003, a Vinnell conseguiu um contrato de 48 milhões de dólares para treinar nove batalhões do novo Exército do Iraque, cada um com efetivo de 1.000 homens. Diversas outras empresas, tais como a Military Professional Resources Inc. (MPRI) e a Science Applications International Corporation (SAIC), foram subcontratadas para a execução desse treinamento de tropas.

Naquela época, o jornal londrino The Times referiu-se ao mercado de segurança militar privada no Iraque nos seguintes termos: “No Iraque, a expansão dos negócios pós-guerra não é o petróleo. É a segurança.”